domingo, 11 de abril de 2010

Serra afirma que o Brasil pode mais e não tem dono


Lançado pré-candidato à Presidência da República no encontro PSDB-DEM-PPS, realizado neste sábado (10), em Brasília, o ex-governador de São Paulo José Serra apresentou-se como o “pós-Lula” que se propõe a trabalhar pela união do País, não para dividi-lo. Serra destacou que o Brasil “não tem dono” e que “pode mais”, dando assim o mote de sua campanha.

Em evento que atraiu pelo menos 4 mil pessoas, segundo organizadores, Serra fez um discurso marcado pelo tom conciliatório. “De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres. (.. ) Ninguém deve esperar que joguemos Estados do Norte contra Estados do Sul, cidades grandes contra cidades pequenas, o urbano contra o rural. (...)É deplorável que haja gente que, em nome da política, tente dividir o nosso Brasil.”

Num contraponto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que costuma reivindicar para seu governo todos os méritos dos avanços do País, Serra lembrou que, desde a redemocratização, o povo brasileiro alcançou muitas conquistas, como o direito de votar no presidente, uma imprensa livre, a nova Constituição, o Plano Real, a responsabilidade fiscal dos governos, o Sistema Único de Saúde (SUS) e a redução da miséria.

“Não foram conquistas de um só homem ou de um só governo, muito menos de um único partido. Todas são resultado de 25 anos de estabilidade democrática, luta e trabalho. E nós somos militantes dessa transformação, protagonistas mesmo, contribuímos para essa história de progresso e de avanços do nosso País. Nós podemos nos orgulhar disso”, disse Serra.

O tucano afirmou que hoje o Brasil é carente de infraestrutura e tem de fazer grandes investimentos no setor. Disse ainda que há “inadequações” na política macroeconômica, mas não entrou em detalhes. “Temos inflação baixa, mais crédito e reservas elevadas, o que é bom, mas, para que o crescimento seja sustentado nos próximos anos, não podemos ter uma combinação perversa de falta de infraestrutura, inadequações da política macroeconômica, aumento da rigidez fiscal e vertiginoso crescimento do déficit do balanço de pagamentos.”

Para Serra, o País não pode tolerar aqueles que mantêm prisioneiros políticos ou os fuzilam, numa alusão ao apoio que o Brasil dá a Cuba e ao Irã.

Quanto à campanha política que virá, o ex-governador disse que responderá com serenidade às provocações “Às falanges de ódio que insistem em dividir a Nação vamos responder com trabalho presente e nossa crença no futuro. Vamos responder sempre dizendo a verdade. Aliás, quanto mais mentiras os adversários disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles.”

Em alusão velada ao apoio à candidatura de Dilma Rousseff dado pelo ex-governador Anthony Garotinho (PR), que já chamou o PT de “partido da boquinha”, Serra disse que o País “não tem dono” e é também dos brasileiros que “não dispõem de uma boquinha, dos que exigem ética na vida pública porque são decentes, dos que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida.”

Houve alusão indireta também à profusão de conferências sobre os mais diferentes assuntos, adotadas no governo de Lula, que remetem a uma espécie de democracia direta. Nessas conferências sempre se aprovam propostas totalitárias, como o controle social da mídia. “É bom reafirmarmos nossos valores”, disse o tucano.

Nenhum comentário:

Postar um comentário