terça-feira, 13 de abril de 2010

Dilma faz campanha no Ceará


Em viagens para promover sua campanha à Presidência, a petista Dilma Rousseff pretende discutir e apresentar propostas de combate a dramas vividos pelas famílias das pequenas e grandes cidades. Há meses, a própria pré-candidata recolhe depoimentos de mães e pais sobre problemas do dia-a-dia como a falta de creches, a baixa remuneração das mulheres, o primeiro emprego dos jovens e o uso de drogas ilegais.

ricardo stuckert/divulgaçãoDilma procura demonstrar preocupação com os problemas da população que mora nos centros urbanosDilma procura demonstrar preocupação com os problemas da população que mora nos centros urbanos
Ontem, ela esteve em Fortaleza - berço do também presidenciável Ciro Gomes (PSB) -, onde à noite receberia o título de cidadã da Câmara Municipal. Hoje, Dilma participa de almoço oferecido pelo jornal “O Povo” com representantes da sociedade civil cearense. Na agenda dela no Ceará estava prevista também uma visita ao Horto, local de orações dos devotos de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. Dilma adiou a visita para o próximo mês.

Num momento em que o PT tenta convencer Ciro a desistir da candidatura a favor de Dilma, a pré-candidata busca focar em temas menos partidários e mais voltados à realidade do eleitorado. Um tema que já entrou no projeto da petista é o tratamento dos dependentes de crack, droga que começou a ser consumida na periferia das metrópoles e agora atinge jovens dos mais remotos povoados do Norte e do Nordeste.

Ao mesmo tempo em que tenta ir além da imagem de ex-gerente de grandes obras de infraestrutura, Dilma terá o desafio de conquistar o eleitoral juvenil e feminino com temas que não estavam sob a coordenação da sua pasta, a Casa Civil. Como o próprio governo reconhece que não teve sucesso nos projetos de alguns desses temas, a candidata faz questão de reconhecer as dificuldades nessas áreas e disposição para resolver os problemas.

Depois de conversar com duas mães de dependentes e se debruçar em relatórios e estudos sobre a droga, a petista esboça um projeto que prevê uma ampla parceria entre todas as esferas de governo, a Igreja Católica, as igrejas evangélicas e as entidades espíritas. As igrejas estão à frente até mesmo de entidades públicas no trabalho de tratamento de dependentes, com clínicas de reabilitação espalhadas pelo País. Na última quinta-feira, Dilma defendeu num encontro do PCdoB uma “mobilização nacional” contra o crack. Ela, no entanto, se adiantou em dizer que é contra a descriminalização das drogas. Para Dilma, o combate à droga se dá com repressão, terapia e prevenção.

Desde os primeiros discursos de pré-candidata, ainda em outubro do ano passado, Dilma já focava temas que mexem na intimidade das famílias. Numa viagem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Cabrobó, sertão de Pernambuco, para vistoriar obras de transposição do Rio São Francisco, ela focou no eleitorado feminino. Falou de questões como emprego de mulheres, educação e saúde da família. “Vamos ter oportunidade de criar nossos filhos num futuro de esperança”, disse.

Em março, pesquisa CNI/Ibope mostrou que Dilma tem maior aceitação no eleitorado masculino. Entre os homens ouvidos pela pesquisa, Dilma teve a preferência de 36% e o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, 34%. Já entre as mulheres a petista teve 25%, 12 pontos porcentuais a menos que o adversário.

Petista nega que tenha criticado exilados

Brasília (AE) - A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, negou ontem que tenha criticado exilados políticos, com o intuito de alfinetar o adversário José Serra (PSDB), quando disse no sábado, durante ato com sindicalistas - em São Bernardo do Campo -, que nunca fugiu da luta.

“De onde tiraram que fugir da luta é se exilar?”, perguntou Dilma no twitter. Ex-militante de organizações de extrema-esquerda que foi torturada na juventude - e ficou presa durante três anos -, a ex-ministra da Casa Civil expôs o inconformismo com a interpretação. Serra se exilou no Chile durante a ditadura. “O exílio significou a diferença entre a vida e a morte para os exilados brasileiros”, escreveu Dilma. “Grandes amigos meus, corajosos e valorosos, só tiveram uma saída na ditadura, se exilar. Querer dizer que eu os critiquei só pode ser má fé”.

Ao discursar para uma plateia de sindicalistas, no dia do lançamento da candidatura de Serra à Presidência, Dilma afirmou que nunca abandonava o barco. “Eu não fujo da situação quando ela fica difícil”, disse ela, na ocasião, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A intenção do comando da campanha petista era fazer um “contraponto social” ao megaencontro dos tucanos, em Brasília. “Eu não tenho medo da luta. Eu posso apanhar, sofrer, ser maltratada, como já fui, mas estou sempre firme com as minhas convicções”, prosseguiu a ex-ministra. “Em cada época da minha vida eu fiz o que fiz porque acreditei no que fazia. Fiz com o coração, com a minha alma e minha paixão. Eu só mudei quando o Brasil mudou, mas eu nunca fugi da luta ou me submeti. E, sobretudo, nunca abandonei o barco.”

No início da noite, a assessoria da pré-candidata do PT divulgou nota intitulada “Dilma não foge da luta nem critica exilados”, na qual afirma ser “totalmente equivocada” a interpretação de que ela tenha feito qualquer referência a brasileiros obrigados a viver clandestinamente em outro País durante a ditadura.

Tasso ironiza Programação de Dilma Rousseff

Fortaleza (AE) - O senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), ironizou a visita da ex-ministra e pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff, que foi ao Ceará para compromissos ontem e hoje. O parlamentar tucano deu a entender que Dilma desconhece a realidade política do Estado. “Pode ser que ela (Dilma) vindo saiba pelo menos o que é o Ceará”, ironizou o tucano, durante palestra para vereadores, em um hotel de Fortaleza. Segundo Tasso, a presença de Dilma é “uma afronta direta ao Ciro (Gomes)”.

Na visão do senador, a movimentação a movimentação da pré-candidata no Ceará, berço eleitoral do deputado Ciro Gomes (PSB), vai contra aos anseios do socialista que tenta viabilizar sua candidatura a presidente como aliado de Lula. Ao aludir a falta de conhecimento de Dilma sobre as relações políticas no Ceará, Tasso se referiu ao relacionamento histórico, tanto político como no campo pessoal, com a família Ferreira Gomes no Estado.

Porém, esta amizade tem ameaçado a manutenção da aliança PT-PSB, que elegeu Cid Gomes, irmão de Ciro, ao governo cearense em 2006. A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), presidente estadual do partido, ameaça quebrar a aliança com Cid, presidente do PSB cearense, caso este venha a apoiar a reeleição de Tasso ao Senado em detrimento da candidatura do ex-ministro da Previdência, José Pimentel (PT).

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